503
reviews written
+152 moreFewer
November 2026
13" Frank Beltrame Italian Stiletto with Bison Horn GripsXiu Xiu4.5 out of 5 stars ·
é um dos álbuns mais... palatáveis do Xiu Xiu no sentido em que eles distorcem estilos mais clássicos como o rock psicodélico e o krautrock, então isso traz essa familiaridade maior para o meio da dissonância -- essa é uma técnica engenhosa, pois muito do que se vê presente aqui é desconfortável do jeito que só essa banda sabe fazer, a frequência das guitarras são dissonantes e trazem essa claustrofobia junto dos vocais torturados do Jamie e toda a estrutura das canções continua na natureza caótica ao empilhar elementos, texturas e cores até o limite do possível, no entanto os riffs mais setentistas e uma agressividade barulhenta mais baseada em tons melódicos modulam esse barulho num cenário que nos prende ao invés de intuitivamente repelir, principalmente através dessa mixagem mais quente e alta que mesmo assim nos permite notar vários detalhes no meio do redemoinho -- é interessante como eles brincam com as expectativas de uma Canção de Rock e transmutam-nas na abordagem miserável deles e as transformam em algo surreal com o caldeirão de psicodelia clássica com suas texturas coloridas e um tom mais mecânico/industrial e macabro numa mistura que soa tão natural como intensa.
Carrie & LowellSufjan Stevens5.0 out of 5 stars ·
Um álbum que representa a dor que a efemeridade da vida e dos bons momento nos inflige, que discorre sobre pequenos detalhes e os disseca de maneira obsessiva que só resulta em prantos inconsoláveis, um álbum que demonstra o ápice artístico de Sufjan Stevens quando ele se despe de toda a sua produção e se apoia apenas no som atemporal do folk atmosférico.
NarrowSoap&Skin4.5 out of 5 stars ·
Uma torrente de emoções que é simplesmente imparável - seja nas canções mais diretas e sufocantes, aonde a dor pode ser sentida de maneira desconfortável e direta como em "Voyage, Voyage" ou quando ela é canalizada por experimentações industriais como em "Deathmental" - "Narrow" tira tudo da frente e simplesmente nos entrega um trabalho exasperante sobre morte.
From Gas to Solid / You Are My FriendSoap&Skin4.0 out of 5 stars ·
Um álbum devastador e grandioso - não porque seus arranjos são complexos ou porque sua sonoridade é variada, mas é grandioso numa maneira emocional, os sentimentos que transmite são cristalinos e puros, mesmo quando perturbados. Se você levar isso no contexto da discografia da Soap&Skin, é algo comovente - uma artista que começou com uma abordagem desesperançosa e erma em "Lovetune for Vacuum", desabrochou com um som mais leve e mais esperançoso, se abrindo para a vida - você pode sentir o quanto ela se cicatrizou desde então e a música encapsula perfeitamente esse sentimento. Canções lentas que se desdobram com ótimos arranjos de corda e um vocal muito pungente que soa extremamente revigorados - mesmo quando sentimos uma onda mais melodramática vindo, consegue manter sua sutileza e alegria em cicatrizar e sentir. Um ponto importante, para mim, foi fechar um álbum tão pesado com um cover tão simples e sincero de uma canção extremamente popular e suave como "What a Wonderful World", a adição desse cover apenas completa o sentimento de abertura e cura do álbum, dando um sentimento delicado de limpeza
Lost & FoundJorja Smith4.0 out of 5 stars ·
Um R&B melancólico e pessoal canalizado através de uma sonoridade mais "clássica" ao invés do vitréo e moderno R&B alternativo - demonstrando uma habilidade para melodias marcantes, Jorja entrega as canções de maneira forte e confiante, mesmo que frágil e um pouco quebrada em diversos momentos. Também incorpora diversas influências que vão desde o trip hop até um soul mais orgânico, os vocais de Jorja fazem as canções desabrocharem seu potencial em faixas ótimas - as quatro primeiras são enfeitiçantes, "Teenage Fantasy" com sua produção escura e batidas downtempo entoxicantes, "Where Did I Go?" tem uma melodia elástica que cola toda a canção junta de maneira coesa enquanto a faixa título e "February 3rd" são simplesmente fantásticas faixas de R&B que demonstram fidedignamente todo o potencial de Jorja. A maioria delas são guiadas por um senso de controle no meio de sua torrente de emoções aparentemente descontroladas - ela é capaz de fazer isso tudo soar belamente calculado e totalmente espontâneo. O que faz com que "Lost & Found" não se catapulte para as primeiras posições da lista são as 3 últimas faixas, baladas que não contém a sutileza, sensibilidade e dinâmica que o resto do álbum tem, beirando as afetações manufaturadas de Adele tanto em composição quanto em interpretação - não compreendo porque ela teve que incluir essas faixas, quando o álbum fecha tão perfeitamente com a impactante "Lifeboats" - tirando essas 3 faixas logo no final, você tem um álbum extremamente sólido e facilmente um destaque do ano.
The Great BailoutMoor Mother4.5 out of 5 stars ·
depois de estender o hip hop até os seus limites, Moor Mother parece querer dissolver o conceito de música nesse álbum -- pega esse storytelling afiado e dilacerante dela sobre o colonialismo e seus efeitos na sociedade ocidental atual e o transmite quase num estado de terror, com abstração ambient-experimental e manipulação de sons extra-musicais para criar uma dissonância e um estado mental de dissociação numa amálgama de gêneros que resulta num som surrealista e denso, numa simbiose excelente entre o storytelling pela sua poesia falada em uma combinação perfeitamente sincronizada com o que ela conta através dos sons.
& The CharmAvalon Emerson4.5 out of 5 stars ·
There's a flow of Studies and Explorations of the 90s genres going on right now -- the best part about it is that it not only replicates them, but rather takes its palettes and applies them to the artist's own vision in a really rewarding way. Avalon Emerson's debut is another one of those, taking a stroll through several styles from both the more electronic-chillout and alternative side of the decade -- spacey downtempo, jittery 2step, lush orchestral indie and dance-y alt rock -- and filters them through a misty-eyed and candid indie electronic filter, learning what makes these genres great and improving her compositions seamlessly through their incorporation in her vision and voice.
OhmsDeftones4.5 out of 5 stars ·
Monumental em como sabe lidar com as dinâmicas sonoras para criar um som pervasivo, empilha camadas e mais camadas de guitarras afiadas, um estilo vocal magneticamente irresistível, ganchos eficientes e embebe tudo isso nessa sonoridade metal-etéreo, produzindo texturas sonoras que soam como um líquido venenoso sendo injetado nas nossas veias, os sintetizadores discretos e a influência de shoegaze sendo o elemento final para coroá-lo como uma tapeçaria intensa de agressividade etérea.
Ceres & Calypso in the Deep TimeCandy Claws5.0 out of 5 stars ·
Claustrofobia tropical. Com uma masterização brilhante, de maneira comprimida e distorcida para intensificar a densidade e aumentar a surrealidade da sua atmosfera e colocar o ouvinte no meio do labirinto que é a floresta úmida e tropical aonde a história do álbum se passa - história também borrada com o passar do álbum, que se torna um sonho lembrado pela metade, "Ceres & Calypso" é um dos álbuns de shoegaze mais instigantes e criativos da década.
QuieterCarla Bozulich4.0 out of 5 stars ·
Não tem os pontos altos que "Evangelista" tem, mas também é um trabalho bem hipnotizante. Seus vocais mais bizarros e frenéticos são trocados por uma interpretação mais sutil e atmosférica, mas os drones incorporados aqui são tão assustadores quanto.... No entanto, menos atormentados e mais conformado com sua própria escuridão, talvez? "Emilia" e "Written in Smoke" causa arrepios, enquanto "End of the World" fecha o álbum num tom mais convencional, mas não menos belo - com um arranjo mais simples e direto. "Quieter", como o título já implica, não é um álbum muito impactante ou surpreendente, mas continua sendo assombroso e do tipo que te espreita por trás ao invés de te embasbacar.
The Invisible Comes to UsAnna & Elizabeth4.0 out of 5 stars ·
Música realmente hipnotizante, que é capaz de segurar sua atenção de uma maneira simples, mas única. Começa de maneira modesta, música folk tradicional atmosférica, mas vai ficando mais avant-garde conforme as músicas vão passando, introduzindo drones, saxofones e construindo uma atmosfera solitária e meio assombrada através de sua duração. O álbum nunca soa grandioso, no entanto, preservando a natureza simples e discreta de sua produção - as adições experimentais não são entregues com pompa, mas de uma maneira sutil, que se incorpora naturalmente nas canções.
Spectral EvolutionRafael Toral4.5 out of 5 stars ·
muito bom esse contraste da capa estilo Stock Image White Noise e ocasional sample de gravações da natureza para nos oferecer um álbum que trabalha suas dissonâncias e atmosfera perturbadora de maneira bem sutil, esse estilo da técnica eletroacústica aliada aos idiomas da música drone-ambient que incorpora elementos minimalistas e de jazz em seu DNA para criar um álbum que tem uma mística própria ao trabalhar birdsongs de maneira tão contundente dentro da música ambient pertence a uma escola bem parecida com a do Hecker ao manipular sons para criar algo que se desenvolve numa progressão bem lenta, mas intrincada em que cada som tem um impacto narrativo na atmosfera sendo construída -- Toral no fim das contas arquiteta uma sonoridade muito hipnotizante e criativa dentro do gênero, que mostra cuidado e reflexão em cada detalhe arranjado para nos oferecer essa visão do contato homem-natureza e todas suas nuances para o bem e para o mal.
Pedra PretaTeto Preto4.5 out of 5 stars ·
Industrial Techno brasileiro extremamente melódico com pinceladas de Nu-Disco e Deep House, canções muito bem produzidas com ganchos deliciosos e uma interpretação frenética que catapulta-o para voos mais altos - seja nas canções mais abrasivas como "Safo" ou "Gasolina Aditivada" ou nas mais rítmicas como "Pedra Preta" ou "Bica", temos um perfeito senso de frenesi incorporado por essas canções que encapsulam perfeitamente um humor psicodélico sem fazer uso da psicodelia em si, também misturando paisagens sonoras industriais ermas com luzes estroboscópicas transformando o álbum num intenso e agressivo caleidoscópio.
MORE & MORETWICE2.5 out of 5 stars ·
After having a great year in 2019 with the release of both the pretty good "Fancy You" and the fantastic "Feel Special", Twice's new release is sadly a huge letdown - straining away from more interesting influences, they land on a pedestrian sound with way less efective hooks and more faceless delivery - to boot on, the mixing is also pretty awful, with a suffocating sound design and a muffled mastering that seems to suffocate the already weak hooks. I'm not feeling special anymore.
EP2Yaeji4.0 out of 5 stars ·
Yaeji second EP is pretty solid, focusing more on her hip hop influences but still maintaning her more ambient influences and fusing both on a fluorescent EP. These tracks are the definition of cool, bangin' beats, a cool, quirky and quite "indifferent" delivery and some tight songwriting. This and her previous EP pretty much constitute a great debut album and if anything her actual debut will be as good as. Keep on!
WillowbankYumi Zouma4.0 out of 5 stars ·
Indie pop extremamente confortável, inofensivo, ensolarado e calmo, elevado por um senso melódico acima da média e a combinação de vocais e produção polidos.
Truth or ConsequencesYumi Zouma4.0 out of 5 stars ·
Yumi Zouma follows the same tested and approved formula they had going for two albums for their third - breezy and soft indie pop with a strong melodic sense, slightly dreamy on its production with nods to the 80s sophisti-pop style of production - the first half is a bit too samey, but the album get stellar at points, e.g.,"Cool for a Second" and while as a whole doesn't present anything exactly new, it continues their path as a completely enjoyable and lovely band - I keep on thinking they have the potential to do something great without losing this soft sound (something akin to Alvvays) and while this is not it yet, it's another great addition to their catalog - the second half has some glimpses of brilliance with more captivating hooks and pristine melodies, so it's worth it if you love breezy, careless and slightly bittersweet indie pop.
DivisionShannon Wright4.0 out of 5 stars ·
Depois de seu álbum anterior, "In Film Sound", Shannon parecia mais influenciada pelo metal, procurando criar mais uma atmosfera dissonante que composições focadas, por isso pensei que esse álbum traria influências mais proeminentes dessa sonoridade, mas acabou que eu estava meio errada no final das contas. Embora canções como "Division" e "The Thirst" poderiam dar uma sensação de uma explosão eminente, ambas sendo canções Art Rock atmosféricas com tons post-hc, o que se segue é mais um desvio por uma produção eletrônica minimalista, até mesmo se tornando completamente ambient em "Seemingly", com melodias esparsas, vocais frágeis e sérios e produção sombria. "Soft Noise" e "Iodine" voltam para o estilo das duas primeiras canções, com guitarras obscuras e uma atmosfera melancólica esmagadora, "Lighthouse" fecha o álbum com um piano assombrado. O clima geral do álbum é bem ermo, meio assombrado e melancólico, com os vocais incríveis de Shannon canalizando seu amargura por mais um prisma - seu décimo álbum ainda mostra sua versatilidade como compositora e vocalista, revelando uma faceta mais esparsa. Não foi o que eu estava esperando, mas certamente me atingiu como seus álbuns anteriores.
Perfect PictureHannah Diamond4.5 out of 5 stars ·
Hannah knows very well how to outline her pop music with similar motifs and symbols and craft perfect pop songs around them without ever feeling repetitive, she knows how to detail her sound with subtle intricacies and distinctive quirks -- the follow-up to the stellar Reflections has a similar premise, but from a different angle. While there's still a bit of existentialism and melancholy, there's some sort of renewed optimism and uplifting sentiments, without conceeding some of her tongue-in-cheek approach to positivity. Sonically, it's also similar to her brand of colorful and slightly icy electropop, but with a new focus on EDM sensibilities and straight up dance-pop moments, with her always on-point bittersweet delivery sealing things up.
Old Town Road (Remix)Lil Nas X · song4.0 out of 5 stars ·
let it be noted on the history books that when lil nas x was talking about taking his horses to the old town road and riding till he couldn't no more he was talking about dick
Stridulum IIZola Jesus4.5 out of 5 stars ·
Polindo o seu darkwave e retirando suas influências de noise, Zola Jesus soa mais como uma diva gótica, trazendo seus vocais para o fronte da produção - com suas composições fortes e voz imponente, cria uma hipnotizante fusão entre o gótico e o pop, com elementos ainda bem enraizados nas trevas.
OkoviZola Jesus4.5 out of 5 stars ·
Eu admiro a Zola Jesus por um bom tempo já, ela é uma artista extremamente talentosa e que sempre se empenha muito em seus trabalhos. Muito embora seu último trabalho não tenha chegado ao seu potencial, com uma tentativa anti-séptica de um som mais pop, aonde suas influências pop e darkwave se cancelavam, eu nunca perdi as esperanças nela de fato e com "Okovi" ela consegue acertar na receita e trazer um trabalho realizado e cativante, trazendo-a de volta para o posto de deusa moderna do darkwave, que ela estava com "Stridulum", sem se livrar completamente de suas recém-adquiridas influências pop. Zola colide e mistura ambos darkwave e pop perfeitamente, temos a fascinante e hipnotizante "Exhumed" com strings obscuras e pulsantes e uma performance vocal apocalíptica, abrindo o álbum de maneira marcante. "Siphon" e "Soak" são faixas mais centradas no pop, com ótimos hooks e uma produção electropop dinâmica, o álbum varia entre esses dois moods, muitas vezes misturando-os numa faixa só, criando uma harmonia no contraste dos dois mundos. As letras frequentemente tocam em temas mais obscuros como depressão e mais explicitamente o suicídio, trazendo com elas um toque mais real e tangente, que talvez faltassem em seus trabalhos anteriores. As influências de música clássica se tornam mais proeminentes, soando por vezes bem influenciada pelo Neoclassical Darkwave de Dead Can Dance, principalmente em faixas pristinas como "Witness", com strings espiraladas, bem similar as de "Stonemilker" da Björk. Essas influências mais clássicas no entanto são confrontadas com uma produção mais industrial e forte, como em "Veka" e "Remains", com um tom furioso e apocalíptico, aonde seus vocais se levantam e destroem tudo o caminho. Num geral, "Okovi" é uma experiência recompensadora que me faz feliz por ver Zola de volta, com um lançamento tão importante e necessário.
StarzYung Lean4.0 out of 5 stars ·
I really enjoy the production on this, it has a more atmospheric approach with its subtles Witch House influences and uses even a few psychedelic texutres - like most Cloud Rap, is moody and deadpan, but it goes beyond and tackles something quite interesting and creative within the genre, reaching a more emotive and naive chord, a sort of charming introspectiveness that doesn't scream self-deprecating but something different - i didn't pay attention to any lyrics whatsoever, but that's what I get from how it sounds - I feel it lacks a bit more edge to be truly stellar, but I can see myself spinning this more times due to its emotional core and atmospheric approach.
This Stupid WorldYo La Tengo4.5 out of 5 stars ·
It's everything you love about classic Yo La Tengo, but sounding re-energized, with a fresh point of view and with newer things to add to their sonic catalog -- which is a interesting contrast to how existential and ruminative about impending doom these lyrics are. It has the balance between gentle and deadpan, where you feel both comforted and at unease, which they perfected so well throughout their career -- the lethargic vocals spins around their knack for discovering a guitar riff/rhythmic line and exploring each corner of it. Creating a masterful section of jamming, they wander and wander through sounds and find their home within them, combining melodies with disparate influences and creating a trance-like noisy noodling -- you add that to the fact they are exquisite songwriters with sharp ears for good hooks and the album feels like its luring you into its world, then you have almost an hypnosis session at the edge of the world. They have been growing towards being my favorite band for these past 4-5 years and a solace for times of distress -- with this album, well into their third decade, they simply cemented their place within my heart.
There's A Riot Going OnYo La Tengo4.5 out of 5 stars ·
ideal setting for listening: laying in bed on a scalding hot afternoon (mine at the time of writing: 37º C) doozing in and out of sleep. works like a charm.